Quem vive ou passa por Manaus precisa lidar com períodos de calor intenso, alta sensação térmica e exposição frequente ao sol. Nessas condições, cuidados simples ajudam a prevenir queimaduras, envelhecimento precoce da pele, desidratação, mal-estar, insolação e outros problemas relacionados ao calor.
A proteção não deve depender apenas do protetor solar. A recomendação é combinar sombra, roupas adequadas, chapéu ou boné, óculos escuros com proteção contra raios ultravioleta, hidratação e planejamento dos horários de atividades ao ar livre.
O Ministério da Saúde orienta evitar a exposição prolongada nos horários em que a radiação solar costuma ser mais intensa, especialmente entre 10h e 16h. Quando não for possível permanecer fora do sol, é importante reforçar as barreiras de proteção.
Evite o sol direto entre 10h e 16h
O primeiro cuidado é organizar a rotina para reduzir a exposição nos períodos mais quentes do dia. Sempre que possível, caminhadas, exercícios, deslocamentos e trabalhos ao ar livre devem ser realizados antes das 10h ou depois das 16h.
Essa orientação não significa que não exista risco fora desse intervalo. A radiação ultravioleta pode causar danos mesmo em horários diferentes, principalmente quando a pessoa permanece muito tempo exposta. Por isso, o uso de roupas, chapéu, óculos e protetor solar continua indicado.
Em atividades que não podem ser adiadas, procure permanecer em locais cobertos ou com sombra. Barracas, guarda-sóis, marquises e áreas arborizadas ajudam, mas não eliminam completamente a exposição à radiação. A proteção deve ser complementada com vestuário e filtro solar.
Use protetor solar corretamente
O protetor solar ajuda a reduzir queimaduras e danos causados pela radiação ultravioleta, mas não substitui a sombra nem autoriza a permanência prolongada sob o sol. A proteção pode ser menor quando o produto é aplicado em pouca quantidade, removido pelo suor ou retirado pela água.
O Instituto Nacional de Câncer recomenda o uso de filtro solar com FPS 15 ou mais e proteção contra os raios UVA. Na prática, pessoas expostas a calor intenso, suor frequente ou atividades ao ar livre devem seguir as instruções do rótulo e considerar produtos adequados ao tipo de pele e à rotina.
Para usar o produto de forma mais eficiente:
- aplique o protetor antes de sair ao sol, seguindo o tempo de espera indicado na embalagem;
- espalhe o produto nas áreas expostas, incluindo rosto, orelhas, pescoço, nuca, braços, mãos, pernas e pés;
- reaplique durante a exposição, conforme a orientação do fabricante;
- faça nova aplicação depois de nadar, tomar banho, secar-se com toalha ou suar intensamente;
- use produto específico para os lábios quando houver exposição prolongada;
- confira a validade, a integridade da embalagem e as instruções de conservação.
A Anvisa reforça que os protetores solares precisam ser reaplicados para manter a eficácia. Mesmo os produtos classificados como resistentes à água podem perder parte da proteção após banho, suor excessivo ou contato com a toalha.
Combine o filtro solar com roupas e acessórios
Roupas leves, de preferência confortáveis e que permitam a ventilação do corpo, ajudam a diminuir o contato direto da pele com o sol. Em exposições prolongadas, camisas de mangas compridas, calças leves e tecidos com proteção ultravioleta podem oferecer uma barreira adicional.
Chapéus e bonés protegem parte do rosto e da cabeça. Os modelos com abas largas também cobrem melhor as orelhas, a nuca e o pescoço. Óculos escuros devem ter proteção contra raios UV, porque lentes sem proteção adequada não oferecem a mesma segurança para os olhos.
Além da exposição direta, é preciso considerar a reflexão da luz em superfícies claras, água, areia, concreto e áreas abertas. Por isso, mesmo quando o céu está parcialmente nublado, mantenha os cuidados. As nuvens não bloqueiam toda a radiação ultravioleta.
Beba água ao longo do dia
O calor aumenta a perda de líquidos por meio da transpiração. Esperar sentir muita sede pode fazer com que a reposição seja insuficiente, especialmente durante deslocamentos, exercícios físicos, trabalho ao ar livre ou permanência em locais pouco ventilados.
Leve água ao sair de casa e beba em pequenas quantidades ao longo do dia. Em atividades físicas, a hidratação deve ocorrer antes, durante e depois do esforço. Água costuma ser a principal opção para a maioria das situações, enquanto bebidas alcoólicas podem favorecer a desidratação.
Também é importante não substituir a água em excesso por refrigerantes, bebidas energéticas ou produtos muito açucarados. Pessoas com doenças renais, cardíacas ou outras condições de saúde que exigem controle de líquidos devem seguir a orientação do profissional que acompanha o tratamento.
Urina muito escura, boca seca, fraqueza, tontura, dor de cabeça e redução da frequência urinária podem indicar desidratação. Se os sintomas não melhorarem após repouso, hidratação e ida para um local fresco, procure atendimento de saúde.
Adapte exercícios e atividades ao ar livre
Atividades físicas sob calor intenso exigem planejamento. Prefira horários de menor radiação, reduza a intensidade quando necessário e faça pausas em locais ventilados ou sombreados. Não espere o corpo apresentar sinais de exaustão para interromper o exercício.
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e quem usa determinados medicamentos podem ter maior dificuldade para regular a temperatura corporal. O Ministério da Saúde cita, entre os grupos que exigem atenção especial, pessoas com problemas cardíacos, renais, respiratórios ou de circulação, além de diabéticos.
Em trabalhos externos, a empresa deve organizar pausas, acesso à água e condições que reduzam o risco relacionado ao calor. Trabalhadores também devem informar sintomas como tontura, fraqueza, cãibras, dor de cabeça, náusea ou confusão mental.
Proteja crianças, idosos e animais
Crianças pequenas podem se desidratar rapidamente e nem sempre conseguem comunicar que estão com sede ou desconforto. Ofereça líquidos conforme a orientação pediátrica, mantenha-as em ambientes ventilados e evite exposição direta prolongada.
Para bebês menores de 6 meses, o uso de protetor solar deve ser discutido com um médico, conforme a orientação presente na regulamentação dos produtos. Nessa faixa etária, a prioridade é evitar o sol direto por meio de sombra, roupas e cobertura adequada.
Idosos também podem apresentar menor percepção de sede e maior vulnerabilidade ao calor. Familiares e cuidadores devem observar a ingestão de líquidos, o estado de alerta e possíveis mudanças de comportamento.
Animais de estimação também precisam de água, sombra e horários adequados para passeios. O asfalto aquecido pode causar lesões nas patas, e o interior de veículos pode atingir temperaturas perigosas rapidamente. Nunca deixe crianças, idosos, animais ou qualquer pessoa dentro de um carro estacionado, mesmo por poucos minutos.
Saiba diferenciar mal-estar, desidratação e insolação
O desconforto causado pelo calor pode começar com sede, suor excessivo, cansaço, dor de cabeça, tontura, náusea e cãibras. Esses sinais indicam que a pessoa deve interromper a atividade, ir para um lugar fresco e beber líquidos, se estiver consciente e puder engolir normalmente.
A insolação, também chamada em alguns materiais de golpe de calor, é uma situação grave. Segundo o Ministério da Saúde, pode ocorrer quando o organismo perde a capacidade de controlar a própria temperatura. Os sinais incluem temperatura corporal muito elevada, pele quente, dor de cabeça, tontura, náusea, pulso acelerado, alterações visuais e confusão mental.
Quadros mais graves podem apresentar desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, fraqueza intensa, alteração do nível de consciência ou coma. Nesses casos, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente.
O que fazer diante de sinais de insolação
Ao perceber sinais de gravidade, retire a pessoa do sol e leve-a para um local fresco, ventilado e com sombra. Afrouxe ou retire o excesso de roupas e ajude a resfriar o corpo com panos úmidos e frios ou borrifando água, sem atrasar a busca por atendimento.
Se a pessoa estiver consciente e conseguir engolir, pode receber água ou outro líquido não alcoólico. Não ofereça líquidos a alguém desacordado, confuso, convulsionando ou com dificuldade para engolir, pois existe risco de engasgo.
Em situações graves, ligue para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou procure uma unidade de emergência. Confusão mental, convulsão, perda de consciência, dificuldade intensa para respirar e temperatura muito elevada são sinais que exigem resposta imediata.
Cuidados para a rotina em Manaus
Antes de sair, verifique a previsão do tempo e planeje o trajeto para incluir pontos de sombra ou locais de descanso. Em deslocamentos longos, carregue água, use proteção para a cabeça e evite permanecer parado sob o sol.
Quem trabalha ou estuda em ambientes quentes deve manter uma garrafa de água por perto, fazer pausas e observar os sinais do próprio corpo. Em dias de calor mais intenso, reduza atividades desnecessárias ao ar livre e dê preferência a ambientes ventilados.
A proteção mais eficiente é a combinação de medidas: evitar os horários críticos, buscar sombra, usar roupas e acessórios adequados, aplicar e reaplicar protetor solar, beber água e reconhecer rapidamente os sinais de agravamento. Se houver confusão mental, desmaio, convulsão ou dificuldade para respirar, não espere os sintomas passarem: procure atendimento de emergência.